sexta-feira, 6 de novembro de 2009

aparte terciário - a conclusão da saga do dente!

Se há algo que posso ter aproveitado nesta história do dente é que pude sugar a ingenuidade da minha turma até ao tutano, esmifrar toda a confiança que eles depositaram numa pessoa que ainda não sabem que é do mais mentiroso que há (a minha pessoa) e transformá-la num ganda Mário… Para quem não conhece o que é um “ganda Mário”, “pulling off a Mario” em inglês para os internautas internacionais, é dizer uma mentira, uma peta, uma inverdade, após a qual poderíamos dizer “Olha Mário, mais um otário”, “Look Mario, another otario”, mas com o decorrer dos séculos reduziu-se a dizer com rejubilo que efectuámos um “ganda Mário”…

Seja como for, logo depois da saga do hospital, uma saga dentro da saga do dente que aqui já foi referida, tive que ir para a escola depois do almoço, na minha única tarde ocupada com aulas, e ainda transtornado com a tragédia dental que me tinha ocorrido não me estava a apetecer falar para não mostrar a minha dentuça, o que não seria complicado porque quando cheguei já tinha começado a aula. Mas no decorrer da mesma, pensei: “why not pulling off a Mario?” E assim foi, comecei logo a magicar um plano maléfico para justificar o facto de não falar, e eventualmente o dente que me faltava, assim que reparassem.

Portanto comecei a falar da minha história de vida por gestos ou por escrito:
“Não posso falar…” Porquê? “Ontem à noite tive foi operado à garganta, foi por isso que faltei hoje de manhã às aulas, só me deram alta ao fim da manhã…” Mas foste logo operado e deram-te logo alta? “Sim, cirurgia de ambulatório, é possível.” Ai é? Mas então o que é que te aconteceu? “Não sei bem, acho que foi uma espinha que feriu a minha garganta, e quando foram ver acharam por bem operar entretanto…” Então não podes falar? “Pois, foi o que o meu médico me aconselhou, não é que não possa falar só é melhor não falar para cicatrizar melhor”. Então por quanto tempo? “Hoje e amanhã.” Epá, eu não conseguia… “Pois é complicado…”
E quando reparassem no dente…
Olha, partiste o dente? “Sim, foi durante a operação e quando estavam a entubar-me partiram-me o dente… É possível! Mas na próxima semana já prometeram corrigir os danos…” Ahhh, acho bem...

Pois, para levar este Mário avante tive de conseguir, e foi muito difícil! E o melhor é que consegui! Sou muita bom a puxar Mários…
A história até pode acontecer a qualquer um, não seria a primeira vez que alguém se ferisse com uma espinha ou partisse os dentes pelo descuido do entubador… Se alguém me ouvisse um pequeno desabafo da minha boca, dizia logo (por escrito) que não é que eu não possa, não devo é falar… E se desconfiassem da minha história, eu escrevia “E eu parti o dente e faltei de manhã por acaso!” E por acaso foi um acaso muito parvo…
Até tive o Bruno, que é um maior mentiroso do que eu, a dizer a verdade.. Portanto as pessoas não acreditavam nele e acreditavam em mim. E não basta a minha turma, até os professores acreditavam! Numa aula de biologia do dia seguinte tive a perguntar coisas à professora no papel, enquanto ela e a turma esperava que eu acabasse de escrever, e até tive a stora de química a aconselhar-me a comer gelado que ajudava a recuperar…

Só queria gritar em plenos pulmões: “Ai ca burros, ganda Mário!”
Mas não, esperei 2 dias para falar outra vez. Custou mas foi, e teve os seus frutos. Ainda hoje maior parte da turma e dos professores acha que fui submetido a cirurgia, e os que sabem a verdade ou já o sabiam antes de eu considerar em fazer isto (aos quais pedi confidencialidade) ou leram aqui.

E é assim, meus amigos, que se faz O MAIOR MÁRIO DE SEMPRE. Desafio-vos a ultrapassar-me.